Junta de Freguesia de Ruivães Junta de Freguesia de Ruivães

História

RUIVÃES

História, memória e identidade de uma comunidade minhota

Dos primeiros testemunhos medievais à freguesia do século XXI

“Uma terra conhece-se verdadeiramente quando conhece a sua história.”

Ruivães é uma comunidade antiga.

A sua história não começou com a atual organização administrativa, nem com a construção das estradas, das casas ou dos equipamentos que hoje conhecemos.

Começou muito antes.

Ao longo de séculos, homens e mulheres ocuparam este território, trabalharam a terra, constituíram famílias, construíram casas, ergueram lugares de culto, desenvolveram ofícios, participaram na transformação industrial do concelho, emigraram, regressaram e transmitiram aos seus descendentes uma forte ligação à terra.

Hoje, Ruivães é uma freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga.

Mas, para compreender verdadeiramente Ruivães, é necessário recuar no tempo.

A investigação histórica mais aprofundada dedicada especificamente à freguesia é a obra de Odete Paiva, Ruivães - Comunidade Minhota do Concelho de Vila Nova de Famalicão, publicada em 2021. A autora traça uma história de longa duração, começando no período medieval e acompanhando a população, a economia e a sociedade ruivanenses até ao século XXI.

É a partir desse trabalho, da documentação de arquivo e de outros testemunhos históricos que podemos reconstruir a história de Ruivães.


1. ANTES DE RUIVÃES

Muito antes de existirem freguesias, municípios ou os atuais limites administrativos, o território minhoto era já ocupado por comunidades humanas.

Ruivães integra uma região profundamente marcada pela presença humana desde tempos antigos.

A localização geográfica, os terrenos agrícolas, os cursos de água e a proximidade dos principais eixos de povoamento do Entre-Douro-e-Minho favoreceram a fixação das populações.

No entanto, é importante estabelecer uma distinção.

Existem vestígios arqueológicos de diferentes períodos na região de Vila Nova de Famalicão, mas não devemos atribuir automaticamente esses vestígios ao atual território de Ruivães sem prova arqueológica específica.

A história de Ruivães começa a tornar-se documentalmente mais segura quando surgem os primeiros testemunhos escritos relativos à comunidade.

É aí que encontramos uma das referências fundamentais.


2. ROVIÃES - A MEMÓRIA MEDIEVAL

Nas Inquirições de 1220, realizadas durante o reinado de D. Afonso II, surge uma referência a Ruivães sob a forma Roviães.

É uma das mais antigas referências documentais conhecidas à comunidade.

Este documento coloca Ruivães no mapa histórico do território português há mais de oito séculos.

O nome que então encontramos não era ainda exatamente aquele que utilizamos atualmente.

Como acontece com muitos topónimos portugueses, a designação sofreu alterações ao longo do tempo.

A investigação histórica admite uma possível relação com formas antigas como Villa Rubi ou Villa Rubiani, eventualmente associadas ao nome de um proprietário ou personagem chamado Rúbio ou Rúben.

Esta explicação deve, contudo, ser entendida como hipótese etimológica, e não como uma certeza absoluta.

O que é inequívoco é que, no século XIII, já existia uma comunidade identificada documentalmente com uma forma antiga do atual nome de Ruivães.


3. O NOME RUIVÃES

A evolução do topónimo é uma pequena história dentro da própria história da freguesia.

Ao longo dos séculos encontramos diferentes grafias.

A língua portuguesa estava ainda em evolução e os documentos medievais apresentavam frequentemente formas diferentes para designar o mesmo lugar.

Segundo a investigação histórica dedicada a Ruivães, em 1528 encontrava-se já consolidada a forma Ruivães.

Assim, entre o medieval Roviães e o atual Ruivães passaram-se vários séculos de evolução linguística.

O nome sobreviveu às mudanças políticas, administrativas e sociais.

É um dos elementos mais antigos da identidade da comunidade.


4. A TERRA E OS SEUS LUGARES

Ruivães nunca foi apenas um único núcleo habitacional.

A comunidade foi-se organizando através de diferentes lugares, casas, quintas e propriedades.

Entre os lugares historicamente associados a Ruivães encontramos Outeiro, Nomães, Ôres, Mortório e Rebordelo, entre outros.

A existência destes lugares é particularmente importante para compreender a evolução da freguesia.

Cada lugar possuía as suas casas, terrenos, caminhos, fontes e famílias.

Ao longo das gerações, determinados apelidos permaneceram ligados a determinados lugares.

A investigação genealógica sobre famílias de Ruivães, por exemplo, documenta a presença de uma linhagem da família Azevedo em Outeiro, Nomães e Ôres, com registos que remontam ao século XVII e que permitem acompanhar várias gerações.

Estes dados devem ser entendidos como documentação genealógica sobre determinadas famílias e não como prova de que essas famílias fossem as únicas ou necessariamente as primeiras habitantes dos lugares.

Mas demonstram algo muito importante:

os lugares de Ruivães têm uma memória familiar que atravessa séculos.


5. O OUTEIRO

Outeiro é um dos lugares historicamente associados a Ruivães.

Os registos paroquiais permitem identificar habitantes do lugar desde, pelo menos, o início do século XVII.

A genealogia documentada de uma das famílias locais identifica, por exemplo, João Andre, nascido por volta de 1570 em Outeiro, e o seu filho João Andre, batizado em 1607 na antiga Igreja do Divino Salvador de Ruivães.

O exemplo é particularmente interessante porque permite observar uma realidade que se repetiu em muitas famílias ruivanenses:

uma pessoa nasce num determinado lugar;

é batizada na igreja paroquial;

casa dentro ou nas proximidades da comunidade;

constitui família;

os filhos permanecem ligados ao território;

e os seus descendentes continuam a aparecer nos livros paroquiais.

É assim que uma comunidade se constrói ao longo dos séculos.


6. NOMÃES

Nomães é outro dos lugares com forte presença na documentação genealógica e patrimonial de Ruivães.

Existem referências a famílias que viveram em Nomães durante sucessivas gerações.

A investigação genealógica documenta, por exemplo, a presença da família Azevedo no lugar, com registos de nascimento e casamento nos séculos XVIII e XIX.

Nomães conserva ainda elementos da memória religiosa e comunitária, incluindo referências ao Senhor dos Perdões, ao Senhor dos Milagres e à Capela de São Pedro.

O património religioso associado aos lugares demonstra que a identidade de Ruivães não se concentrava exclusivamente na igreja paroquial.

Existia uma rede de espaços de devoção distribuída pelo território.


7. ÔRES

Ôres é igualmente um lugar com memória histórica documentada.

A presença de famílias no local encontra-se registada nos documentos paroquiais e nos estudos genealógicos.

A memória local conserva ainda referências a propriedades agrícolas, casas e fontes.

Entre os elementos atualmente identificáveis encontra-se um fontanário em Ôres, testemunho da importância que os pontos de água tiveram na organização das comunidades rurais.

Antes da generalização do abastecimento domiciliário, uma fonte era muito mais do que um elemento da paisagem.

Era um equipamento essencial à vida quotidiana.

Era lugar de abastecimento.

Lugar de encontro.

E, muitas vezes, lugar de convivência.


8. MORTÓRIO

Mortório surge igualmente associado à história das famílias de Ruivães.

A documentação genealógica permite identificar pessoas nascidas no lugar e famílias que aí viveram.

Como acontece com os restantes lugares, a sua história não deve ser separada da história geral da freguesia.

Os lugares formavam uma rede.

As pessoas deslocavam-se entre eles.

Casavam.

Trabalhavam.

Cultivavam terrenos.

Participavam nas mesmas festas religiosas.

E encontravam-se na igreja, nas fontes, nos caminhos e nos espaços de comércio e convívio.


9. REBORDELO

Rebordelo é outro lugar de forte importância na história contemporânea de Ruivães.

A antiga Quinta de Rebordelo constitui um elemento particularmente significativo da paisagem local.

No século XXI, parte das antigas estruturas da quinta adquiriu uma nova função.

A antiga adega, que se encontrava em ruínas, foi recuperada pelo Agrupamento de Escuteiros 444 de Ruivães, transformando-se na sede do agrupamento.

A inauguração ocorreu em abril de 2024, no contexto das comemorações dos 50 anos do escutismo em Ruivães.

É um excelente exemplo de como o património pode ganhar uma nova vida.

Um edifício associado ao passado agrícola da freguesia passou a servir as novas gerações.


10. A QUINTA DA CARVALHEIRA

Entre as propriedades históricas de Ruivães destaca-se a Quinta da Carvalheira.

A documentação e a memória local associam-na pelo menos ao século XVI.

A quinta integra um conjunto de casas, terrenos e estruturas que ajudam a compreender a organização da propriedade rural na freguesia.

Associada à propriedade encontra-se também uma Capela de Santo António, elemento que demonstra a relação tradicional entre as grandes casas agrícolas e a religiosidade privada.

As quintas não eram simplesmente propriedades agrícolas.

Eram unidades económicas.

Ali viviam famílias.

Ali se cultivavam terras.

Criavam-se animais.

Armazenavam-se produtos.

E, em determinados casos, existiam espaços religiosos próprios.


11. A CASA E A FAMÍLIA

A história de Ruivães é inseparável da história das suas casas.

A casa minhota tradicional não era apenas um lugar de habitação.

Era o centro de uma pequena economia familiar.

À volta da casa existiam frequentemente campos, hortas, vinhas, árvores de fruto e estruturas destinadas aos animais e ao armazenamento.

A família trabalhava em conjunto.

Os homens dedicavam-se a determinadas tarefas agrícolas e artesanais.

As mulheres assumiam um papel central na organização doméstica, criação dos filhos, tratamento dos animais e, em muitos casos, atividades produtivas realizadas em casa.

As crianças aprendiam desde cedo os trabalhos da família.

A casa era, simultaneamente, lar, unidade económica e espaço de transmissão cultural.


12. A IGREJA DO DIVINO SALVADOR

No centro da história comunitária de Ruivães encontra-se a Igreja do Divino Salvador.

A paróquia teve um papel fundamental na organização da comunidade.

Durante séculos, a igreja foi o lugar onde se realizavam os principais momentos da vida.

Ali se batizavam as crianças.

Ali se celebravam os casamentos.

Ali se acompanhavam os mortos.

Ali se reuniam os fiéis.

Ali se organizavam confrarias e celebrações.

A antiga igreja paroquial teve uma importância fundamental para várias gerações de ruivanenses.

Os registos genealógicos conservam inúmeros exemplos de batismos, casamentos e óbitos realizados no antigo templo.


13. OS LIVROS PAROQUIAIS

Poucas fontes são tão importantes para conhecer a antiga Ruivães como os livros paroquiais.

Os registos conhecidos remontam ao início do século XVII.

Os assentos paroquiais de Ruivães de 1603 em diante permitem acompanhar gerações sucessivas de habitantes.

Neles encontramos nomes de pais e mães.

Encontramos profissões.

Encontramos lugares.

Encontramos relações familiares.

Encontramos idades.

Encontramos causas e circunstâncias relacionadas com os óbitos.

E encontramos uma enorme quantidade de pessoas comuns que, apesar de não terem deixado monumentos ou livros, foram responsáveis por construir a comunidade.

Os livros paroquiais são, por isso, uma verdadeira memória escrita de Ruivães.


14. A IGREJA VELHA

A existência de uma antiga Igreja do Divino Salvador é fundamental para compreender a história religiosa da freguesia.

A investigação genealógica localiza os batismos, casamentos e sepultamentos de várias gerações no antigo templo.

Há registos de habitantes que foram sepultados no interior da igreja.

Essa prática era comum em Portugal durante o Antigo Regime.

Ser enterrado na igreja ou no seu adro não era apenas uma questão de proximidade física.

Representava a ligação espiritual entre a pessoa falecida, a família e a comunidade cristã.

Os antigos espaços de enterramento são, portanto, também lugares de memória.


15. A NOVA IGREJA

A história da paróquia viria posteriormente a conhecer uma nova fase com a construção do atual templo.

A nova Igreja do Divino Salvador é tradicionalmente datada de 1754.

A construção de um novo templo demonstra a capacidade económica e organizativa que a comunidade tinha alcançado.

A igreja passou a constituir uma referência arquitetónica e espiritual da freguesia.

Ao longo dos séculos sofreu naturalmente alterações e obras.

Mas manteve a sua função central.

Ainda hoje, para muitas famílias, a Igreja do Divino Salvador representa um dos lugares mais importantes da identidade de Ruivães.


16. A CAPELA DO CALVÁRIO

Outro dos elementos mais importantes do património religioso de Ruivães é a Capela do Calvário, também associada aos Santos Passos.

A documentação disponível aponta para a autorização da sua construção em 1672, encontrando-se a obra concluída em 1674.

A capela tornou-se um importante centro de devoção.

A tradição dos Santos Passos atravessou gerações e permanece associada à identidade religiosa da comunidade.

A capela é, por isso, simultaneamente:

  • património arquitetónico;
  • espaço de culto;
  • lugar de memória;
  • testemunho da religiosidade popular;
  • e parte da paisagem histórica de Ruivães.

17. SANTO ANTÓNIO

A devoção a Santo António também possui raízes antigas em Ruivães.

Existe documentação que aponta para a existência de uma capela particular dedicada a Santo António em Ruivães em 1648.

Esta referência é importante porque demonstra que a devoção a Santo António estava presente na comunidade já no século XVII.

A associação de Santo António a uma capela particular revela também a importância que algumas famílias e propriedades tinham na organização da vida religiosa local.


18. AS CONFRARIAS

As confrarias eram instituições fundamentais da sociedade tradicional.

Tinham uma dimensão religiosa, mas também social.

Ajudavam a organizar festas.

Promoviam celebrações.

Acompanhavam os mortos.

Administravam bens.

E reforçavam a solidariedade entre os membros da comunidade.

Em Ruivães existiram diferentes confrarias associadas à vida paroquial e aos seus espaços de culto.

A sua existência demonstra que a comunidade possuía uma organização social muito mais complexa do que uma simples população agrícola.


19. A AGRICULTURA

Durante séculos, a agricultura foi a principal base económica de Ruivães.

A terra fornecia o essencial para a alimentação das famílias.

Cultivavam-se cereais.

Produzia-se vinho.

Existiam hortas.

Cultivavam-se árvores de fruto.

Criavam-se animais.

A economia rural era diversificada porque uma família precisava de produzir diferentes bens para assegurar a sua sobrevivência.

A documentação histórica relativa às propriedades de Ruivães mostra uma paisagem composta por campos, vinhas, hortas, árvores e terrenos de diferentes dimensões.

A paisagem que hoje vemos é, em grande medida, resultado de séculos desse trabalho.


20. A VINHA E O VINHO

O vinho ocupou um lugar importante na economia rural minhota.

Ruivães não foi exceção.

As propriedades agrícolas incluíam vinhas e estruturas destinadas à produção e armazenamento.

O vinho tinha importância alimentar, social e económica.

Era consumido pelas famílias.

Era oferecido em ocasiões especiais.

Era utilizado em relações comerciais.

E constituía uma das produções agrícolas que podiam gerar rendimento.


21. MILHO, CEREAIS E HORTAS

A introdução e expansão do milho alteraram profundamente a agricultura minhota.

Os campos passaram a produzir uma cultura fundamental para a alimentação.

O milho permitia produzir farinha, broa e outros alimentos.

Ao lado do milho existiam outros cereais, hortas e culturas complementares.

A agricultura era, portanto, intensamente diversificada.

O objetivo não era apenas produzir para vender.

Era produzir para viver.


22. A ÁGUA

A água foi outro elemento fundamental.

Fontes, minas, ribeiros e outras estruturas permitiam abastecer as casas, os animais e as culturas.

A referência documental à Fonte Gil, associada ao antigo património da Igreja de Ruivães, mostra que determinados pontos de água já eram identificados em documentação antiga.

Os fontanários que chegaram até aos nossos dias são testemunhos físicos dessa relação.

Antes da água canalizada, a fonte era uma infraestrutura indispensável.

Era também um espaço social.

Ali se encontravam pessoas.

Ali se trocavam notícias.

Ali se construíam relações.


23. OS MOINHOS E A ECONOMIA RURAL

A moagem era indispensável numa comunidade produtora de cereais.

Os moinhos transformavam o cereal em farinha.

O moleiro era, por isso, uma figura importante da economia rural.

A existência de profissionais ligados à moagem aparece documentada entre os habitantes de Ruivães.

Um recenseamento militar do século XIX identifica, por exemplo, um habitante de Ruivães cuja profissão era moleiro.

Este tipo de documento permite compreender que a freguesia possuía uma verdadeira divisão de profissões e ofícios.


24. OS OFÍCIOS

Ao lado dos agricultores existiam muitos outros profissionais.

A investigação histórica identifica em Ruivães:

  • tecelões;
  • fiteiros;
  • alfaiates;
  • carpinteiros;
  • ferreiros;
  • moleiros;
  • pedreiros;
  • comerciantes;
  • e outros trabalhadores.

Esta diversidade profissional é particularmente importante.

Significa que a economia da freguesia nunca foi exclusivamente agrícola.

As famílias combinavam atividades.

A agricultura fornecia alimentos.

O artesanato e os ofícios forneciam rendimento.

O comércio permitia adquirir produtos que não eram produzidos localmente.

Foi desta combinação que nasceu uma economia local relativamente dinâmica.


25. A TECELAGEM

A atividade têxtil constitui provavelmente um dos capítulos mais importantes da história económica de Ruivães.

Antes das fábricas modernas, a produção têxtil estava muitas vezes associada ao trabalho doméstico.

A tecelagem podia ser realizada em pequena escala e integrada na economia familiar.

Os registos paroquiais permitem identificar numerosas pessoas ligadas a atividades têxteis.

Durante o século XIX, a atividade evoluiu.

A pequena produção foi dando lugar a unidades mais organizadas.

Ruivães participou assim no processo de industrialização que transformaria profundamente o concelho de Vila Nova de Famalicão.


26. A INDUSTRIALIZAÇÃO

Os Inquéritos Industriais do século XIX constituem uma das fontes fundamentais para conhecer a transformação económica de Ruivães.

A documentação de 1845 já regista atividade têxtil na freguesia.

Em 1875, a indústria têxtil tinha adquirido uma importância ainda maior.

A investigação de Odete Paiva destaca precisamente o peso das unidades industriais têxteis na freguesia.

Esta realidade deve ser valorizada porque demonstra que Ruivães não ficou à margem da industrialização famalicense.

Pelo contrário.

A freguesia participou nela.


27. DO TEAR À FÁBRICA

A passagem do tear doméstico para a fábrica representa uma das maiores transformações económicas da história local.

A produção deixou progressivamente de estar confinada ao espaço doméstico.

Surgiram unidades industriais.

O trabalho passou a ser organizado de forma diferente.

As relações entre empregadores e trabalhadores alteraram-se.

Os horários mudaram.

Os rendimentos monetários ganharam importância.

A mobilidade dos trabalhadores aumentou.

E a freguesia passou a estar cada vez mais integrada na economia industrial do concelho.


28. A FÁBRICA TÊXTIL DE RUIVÃES

A tradição industrial continuou no século XX.

Um documento publicado no Diário do Governo regista a constituição, em 1947, da sociedade Fábrica Têxtil de Ruivães, Lda., com sede no lugar da Boavista, em Ruivães.

Este documento constitui uma prova particularmente importante.

Não estamos perante uma tradição oral ou uma memória familiar.

Estamos perante documentação oficial publicada.

A existência desta empresa demonstra a continuidade da ligação da freguesia à indústria têxtil durante o século XX.


29. RUIVÃES E O CONCELHO INDUSTRIAL

A industrialização de Vila Nova de Famalicão teve consequências profundas na vida de Ruivães.

A freguesia passou a integrar uma área económica cada vez mais industrializada.

As pessoas podiam trabalhar dentro da freguesia ou deslocar-se para outras zonas do concelho.

As fábricas passaram a desempenhar um papel importante na vida das famílias.

A agricultura não desapareceu imediatamente.

Durante muito tempo, uma família podia ter simultaneamente:

um trabalhador industrial;

um agricultor;

uma pequena horta;

alguns animais;

e uma parcela de vinha ou campo.

Era uma economia familiar híbrida.


30. O SÉCULO XX

O século XX foi um período de enorme transformação.

A eletrificação alterou a vida quotidiana.

Os transportes melhoraram.

A escola ganhou importância.

A indústria cresceu.

A agricultura foi progressivamente mecanizada.

As comunicações tornaram-se mais rápidas.

E a emigração alterou profundamente a estrutura das famílias.

Ruivães deixou progressivamente de ser uma comunidade predominantemente agrícola.

Passou a integrar uma sociedade moderna e industrial.


31. A EMIGRAÇÃO

A emigração marcou profundamente as famílias ruivanenses.

Durante o século XX, muitos habitantes partiram para outras regiões e para outros países.

França, Brasil, Venezuela, Alemanha, Canadá, Estados Unidos e outros destinos fizeram parte das rotas migratórias de famílias da região.

A partida significava muitas vezes sacrifício.

Mas também esperança.

Muitos emigrantes enviaram dinheiro para as famílias.

Construíram ou melhoraram casas.

Investiram em propriedades.

Ajudaram os filhos a estudar.

E mantiveram uma ligação afetiva à terra natal.

A emigração, por isso, não significou necessariamente abandono.

Muitas vezes significou uma nova forma de ligação a Ruivães.


32. AS CASAS DOS EMIGRANTES

Uma das marcas visíveis da emigração é a arquitetura.

Ao longo do século XX foram surgindo casas maiores, novas fachadas e novos modelos construtivos.

Algumas incorporavam elementos arquitetónicos vistos nos países de emigração.

Essas casas passaram a fazer parte da paisagem.

São testemunhos materiais de uma época em que partir para o estrangeiro se tornou parte da experiência de muitas famílias.


33. A ESCOLA

A expansão da escolarização transformou profundamente Ruivães.

Durante séculos, a aprendizagem estava sobretudo ligada à família e aos ofícios.

Progressivamente, a escola passou a desempenhar um papel central.

Aprender a ler, escrever e contar tornou-se uma condição essencial para participar na sociedade moderna.

As novas gerações passaram a ter oportunidades profissionais que os seus pais e avós não tinham tido.

A educação foi, por isso, um dos principais instrumentos de transformação social da freguesia.


34. AS MULHERES DE RUIVÃES

A história tradicional tende muitas vezes a dar maior destaque aos homens.

Mas uma história completa de Ruivães não pode ignorar o papel das mulheres.

Durante séculos, as mulheres participaram na agricultura.

Cuidaram dos filhos.

Geriram a casa.

Trataram dos animais.

Participaram em atividades têxteis.

Ajudaram na produção agrícola.

Mantiveram tradições religiosas.

E asseguraram a continuidade das famílias.

Com a industrialização e a modernização, passaram também a integrar progressivamente o mercado de trabalho formal.

A história de Ruivães é, portanto, também uma história das suas mulheres.


35. GUERRAS E DIFICULDADES

As grandes crises nacionais e internacionais também chegaram a Ruivães.

A Primeira Guerra Mundial afetou as comunidades portuguesas através da mobilização de homens, da ausência de trabalhadores e das dificuldades económicas.

A investigação histórica dedicada a Ruivães estuda especificamente a participação dos ruivanenses nesse conflito.

Pouco depois, a comunidade enfrentou outra tragédia:

a pneumónica.


36. A PNEUMÓNICA

A pandemia de gripe de 1918-1919 atingiu Portugal com enorme violência.

As comunidades rurais não ficaram protegidas.

Ruivães sofreu igualmente as consequências da doença.

Os registos paroquiais constituem uma das principais fontes para estudar a evolução da mortalidade.

Para muitas famílias, aquele período representou a perda de pais, filhos, irmãos ou outros familiares.

É uma parte dolorosa da história local.

Mas deve ser preservada.

Porque também as tragédias fazem parte da memória coletiva.


37. A VIDA COMUNITÁRIA

Ruivães não foi apenas uma soma de famílias.

Sempre existiu uma dimensão comunitária.

As pessoas encontravam-se nas festas.

Nas procissões.

Na igreja.

Nas fontes.

Nas feiras.

Nos trabalhos agrícolas.

Nas associações.

Nos espaços desportivos.

E, mais recentemente, em eventos culturais, recreativos e sociais.

A vida comunitária é uma das características que mais contribuiu para a preservação da identidade da freguesia.


38. O ASSOCIATIVISMO

O associativismo ganhou especial importância durante o século XX.

As associações permitiram organizar atividades culturais, recreativas, desportivas e sociais.

O movimento associativo criou oportunidades de participação.

Criou amizades.

Formou jovens.

Preservou tradições.

E deu à comunidade espaços próprios de encontro.

Entre as experiências mais marcantes da história recente encontra-se também o Agrupamento 444 de Ruivães, que celebrou em 2024 meio século de existência. A recuperação da antiga adega da Quinta de Rebordelo para sede do agrupamento é um exemplo notável da capacidade da comunidade para transformar património antigo em equipamento para as novas gerações.


39. A PARÓQUIA NO SÉCULO XX

A Igreja continuou a desempenhar um papel importante na comunidade durante o século XX.

Entre os sacerdotes que marcaram profundamente a história contemporânea de Ruivães destaca-se o Padre Domingos Carneiro.

Foi pároco de Ruivães durante 42 anos, entre 1978 e 2020. Faleceu em janeiro de 2021.

A sua presença prolongada permitiu acompanhar várias gerações.

Crianças que conheceu como jovens tornaram-se adultos.

Famílias acompanharam-no durante décadas.

A sua figura ficou profundamente associada à vida paroquial.


40. PADRE DOMINGOS CARNEIRO E A MEMÓRIA DE RUIVÃES

Em 2021, Ruivães homenageou o Padre Domingos Carneiro com a inauguração da Praça Domingos Carneiro e de um memorial.

A cerimónia ficou ainda marcada pela apresentação da obra de Odete Paiva dedicada à história da freguesia.

Esta ligação é particularmente simbólica.

O padre que durante décadas acompanhou a comunidade incentivou também a preservação da sua memória histórica.

A história de Ruivães passou assim a ter uma obra de referência especificamente dedicada à freguesia.


41. A OBRA DE ODETE PAIVA

A publicação de Ruivães - Comunidade Minhota do Concelho de Vila Nova de Famalicão, em 2021, constituiu um momento importante na preservação da memória local.

Com 576 páginas, a obra apresenta uma investigação de longa duração, começando no período medieval e chegando ao século XXI.

A investigação aborda temas como:

  • população;
  • famílias;
  • economia;
  • agricultura;
  • propriedades;
  • igreja;
  • capelas;
  • confrarias;
  • profissões;
  • mortalidade;
  • indústria têxtil;
  • Primeira Guerra Mundial;
  • pneumónica;
  • personalidades;
  • e transformação social.

A obra constitui hoje uma referência indispensável para qualquer trabalho sério sobre a história de Ruivães.


42. 2013 — A UNIÃO COM NOVAIS

Em 2013, Ruivães viveu uma das maiores mudanças administrativas da sua história recente.

Na sequência da reorganização administrativa do território das freguesias, Ruivães foi agregada a Novais.

Foi criada a União das Freguesias de Ruivães e Novais.

A alteração administrativa não apagou a identidade de Ruivães.

O nome continuou a ser utilizado.

Os lugares continuaram a existir.

As famílias continuaram a identificar-se com a terra.

A paróquia continuou a existir.

As associações continuaram a funcionar.

E a memória da antiga freguesia permaneceu viva.


43. UMA IDENTIDADE QUE NÃO DESAPARECEU

Uma freguesia pode ser alterada por uma lei.

Uma comunidade não desaparece por decreto.

Durante os anos da União das Freguesias, Ruivães continuou a ser Ruivães.

Os seus habitantes continuaram a dizer onde viviam.

As suas festas continuaram a ser celebradas.

As suas tradições continuaram a ser transmitidas.

As suas famílias continuaram ligadas aos mesmos lugares.

A identidade revelou-se, assim, mais forte do que a alteração administrativa.


44. 2025 — A REPOSIÇÃO DA FREGUESIA

Em 2025 ocorreu uma nova mudança histórica.

A Lei n.º 25-A/2025, de 13 de março, procedeu à reposição de várias freguesias que tinham sido agregadas em 2013.

Entre elas encontra-se Ruivães, no concelho de Vila Nova de Famalicão.

A freguesia voltou, assim, a ter autonomia administrativa própria.

O território da freguesia reposta corresponde, em regra, ao território que possuía antes da agregação de 2013.

Com a instalação dos novos órgãos autárquicos resultantes das eleições autárquicas de 2025, Ruivães iniciou uma nova etapa da sua história administrativa.


45. O SIGNIFICADO DE 2025

A reposição da freguesia não representa simplesmente o regresso a uma organização administrativa anterior.

Representa também uma oportunidade.

Uma oportunidade para reforçar a identidade.

Para aproximar a administração das pessoas.

Para valorizar o património.

Para recuperar memórias.

Para proteger o território.

Para apoiar as famílias.

Para criar condições para os jovens.

E para preparar Ruivães para os próximos anos.

A autonomia administrativa só tem verdadeiro significado quando se transforma em capacidade de servir a comunidade.


46. RUIVÃES HOJE

Ruivães é hoje uma freguesia moderna, integrada num dos concelhos mais dinâmicos do Norte de Portugal.

A agricultura já não possui o peso económico de outros tempos.

A indústria continua presente na região.

O setor dos serviços ganhou importância.

As pessoas trabalham dentro e fora da freguesia.

As deslocações são muito mais fáceis.

A comunicação é instantânea.

As novas gerações têm acesso a oportunidades educativas e profissionais que os seus antepassados não tinham.

Mas, apesar de todas estas mudanças, existe uma continuidade.

A terra continua a ser reconhecida.

Os lugares continuam a ter nomes.

As famílias continuam a recordar os seus antepassados.

As festas continuam.

A igreja continua.

As associações continuam.

E a comunidade continua.


47. O PATRIMÓNIO MATERIAL

O património histórico de Ruivães inclui:

Património religioso

  • Igreja do Divino Salvador;
  • antiga Igreja do Divino Salvador;
  • Capela do Calvário;
  • Capela de Santo António;
  • Capela de São Pedro;
  • outros espaços e elementos de devoção.

Património rural

  • quintas;
  • casas antigas;
  • campos;
  • fontes;
  • fontanários;
  • caminhos;
  • estruturas agrícolas.

Património industrial

  • antigas estruturas relacionadas com a tecelagem;
  • fábricas;
  • oficinas;
  • espaços de produção.

Património documental

  • livros paroquiais;
  • registos administrativos;
  • documentos de propriedade;
  • testamentos;
  • recenseamentos;
  • documentação industrial.

Este património deve ser identificado, estudado e preservado.


48. O PATRIMÓNIO IMATERIAL

Existe, porém, outro património que não pode ser fotografado nem colocado numa vitrina.

É o património imaterial.

São as histórias contadas pelos avós.

As receitas.

As expressões populares.

As canções.

As festas.

As procissões.

As promessas.

Os conhecimentos agrícolas.

Os antigos ofícios.

As memórias das fábricas.

As histórias da emigração.

Os nomes antigos dos lugares.

As alcunhas familiares.

As histórias das casas.

Tudo isto também é história.


49. AS MEMÓRIAS QUE AINDA NÃO ESTÃO NOS LIVROS

Existe uma parte da história de Ruivães que ainda não está suficientemente documentada.

Está na memória das pessoas.

Um habitante mais velho pode recordar o nome de uma antiga fonte.

Outro pode saber onde existia uma antiga eira.

Outro conhece a história de uma casa.

Outro recorda uma antiga fábrica.

Outro conserva fotografias de uma festa de há cinquenta anos.

Outro sabe como se trabalhava determinado campo.

Essas memórias podem desaparecer com o tempo.

Por isso, preservar a história de Ruivães significa também registar a memória oral da comunidade.


50. UMA PROPOSTA PARA O FUTURO: O ARQUIVO VIVO DE RUIVÃES

A Junta de Freguesia pode assumir um papel importante na preservação dessa memória.

Seria possível criar um Arquivo Histórico Digital de Ruivães, reunindo:

  • fotografias antigas;
  • documentos;
  • mapas;
  • livros;
  • memórias orais;
  • testemunhos;
  • árvores genealógicas;
  • histórias das famílias;
  • histórias das casas;
  • antigos ofícios;
  • património religioso;
  • património agrícola;
  • património industrial;
  • festas e tradições.

Cada fotografia poderia ser identificada com:

Quem?

Onde?

Quando?

O quê?

Fonte?

Desta forma, a memória que hoje está dispersa pelas casas das famílias poderia tornar-se património coletivo.


51. UMA CRONOLOGIA DE RUIVÃES

Século XIII

1220
Ruivães surge nas Inquirições régias sob a forma Roviães. É uma das referências documentais medievais fundamentais para a história da comunidade.

Século XVI

1528
A investigação histórica identifica já a forma Ruivães como designação consolidada.

1544
Documentação relativa aos bens da Igreja de Ruivães permite conhecer propriedades, paisagem e elementos como a Fonte Gil.

Século XVII

1603 em diante
Existem livros paroquiais que permitem acompanhar a população da freguesia.

1648
Existe referência documental a uma capela particular dedicada a Santo António em Ruivães.

1672
É autorizada a construção da Capela do Calvário.

1674
A Capela do Calvário encontra-se concluída.

Século XVIII

1754
É associada à construção da nova Igreja do Divino Salvador a data de 1754.

Século XVIII
A agricultura, o artesanato, a tecelagem e a organização paroquial constituem elementos fundamentais da vida económica e social.

Século XIX

1845
Os inquéritos industriais documentam atividade têxtil em Ruivães.

1875
A atividade têxtil possui já importante expressão na freguesia.

Final do século XIX
Agricultura e indústria coexistem na economia local.

Século XX

1914–1918
A Primeira Guerra Mundial afeta também a comunidade ruivanense.

1918–1919
A pneumónica provoca forte impacto demográfico e social.

1947
É constituída a sociedade Fábrica Têxtil de Ruivães, L.da, com sede na Boavista.

Século XX
Industrialização, eletrificação, escolarização, modernização agrícola, emigração e crescimento associativo transformam profundamente a freguesia.

Século XXI

2013
Ruivães é agregada a Novais, formando a União das Freguesias de Ruivães e Novais.

2021
É publicada a obra histórica de Odete Paiva sobre Ruivães.

2021
Ruivães homenageia o Padre Domingos Carneiro com a inauguração da praça e do memorial com o seu nome.

2024
O Agrupamento 444 de Ruivães celebra 50 anos de escutismo e inaugura a nova sede na antiga adega da Quinta de Rebordelo, recuperada pelos escuteiros.

13 de março de 2025
É publicada a Lei n.º 25-A/2025, que determina a reposição da Freguesia de Ruivães.

2025
Ruivães recupera a autonomia administrativa com a instalação dos novos órgãos autárquicos.

2026
Ruivães continua a construir a sua história enquanto freguesia autónoma.


52. FACTO, TRADIÇÃO E MEMÓRIA

Uma história local responsável deve distinguir três conceitos.

FACTO DOCUMENTAL

É aquilo que podemos comprovar através de documentos, arquivos, livros, legislação ou outras fontes históricas.

Exemplo:

A referência medieval a Roviães nas Inquirições de 1220.

TRADIÇÃO LOCAL

É aquilo que foi transmitido ao longo de gerações e que faz parte da memória coletiva, mas cuja origem documental pode não estar comprovada.

As tradições têm enorme valor cultural, mas devem ser apresentadas como tradições.

HIPÓTESE HISTÓRICA

É uma interpretação construída pelos investigadores a partir dos elementos disponíveis.

Por exemplo, uma determinada explicação para a origem do topónimo Ruivães.

Esta distinção não diminui a história.

Pelo contrário.

Torna-a mais séria.


53. UMA HISTÓRIA QUE NÃO DEVE SER INVENTADA

Há uma tentação frequente quando se escreve a história de uma terra:

preencher os espaços desconhecidos com histórias que parecem plausíveis.

Isso não deve acontecer.

Quando não sabemos, devemos dizer que não sabemos.

Quando existe uma tradição, devemos identificá-la como tradição.

Quando existe documentação, devemos apresentá-la.

E quando existem diferentes interpretações, devemos explicar que existem diferentes interpretações.

É assim que se constrói uma verdadeira história local.


54. A IDENTIDADE RUIVANENSE

Depois de oito séculos de referências documentais, a identidade de Ruivães permanece viva.

É uma identidade construída por muitas gerações.

Pelos que nasceram aqui.

Pelos que chegaram.

Pelos que partiram.

Pelos que regressaram.

Pelos que ficaram.

Pelos que construíram.

Pelos que trabalharam.

Pelos que cuidaram.

Pelos que ensinaram.

Pelos que rezaram.

Pelos que celebraram.

Pelos que lutaram pela sua comunidade.


55. O FUTURO

A história de Ruivães não terminou em 2025.

A reposição da freguesia marcou apenas o início de um novo capítulo.

As gerações atuais receberam uma herança.

Receberam um território.

Receberam património.

Receberam tradições.

Receberam histórias.

Receberam uma identidade.

E têm agora a responsabilidade de transmitir tudo isso às próximas gerações.

Mas não basta preservar.

É necessário construir.

Construir novas oportunidades.

Criar condições para os jovens.

Apoiar os idosos.

Valorizar as famílias.

Apoiar as empresas e o comércio.

Preservar o território.

Valorizar o património.

Promover a cultura.

Reforçar a comunidade.


56. RUIVÃES — UMA HISTÓRIA VIVA

Há lugares que têm história.

E há lugares que vivem a sua história.

Ruivães pertence a esta segunda categoria.

A história está presente nos seus nomes.

Nas suas ruas.

Nas suas casas.

Nas suas capelas.

Na igreja.

Nas fontes.

Nos campos.

Nas antigas propriedades.

Nas memórias das famílias.

Nas associações.

Nas festas.

E, sobretudo, nas pessoas.

Por isso, a história de Ruivães não deve ser vista como algo distante.

É uma história que continua.


57. EPÍLOGO

De onde viemos. Quem somos. Para onde vamos.

Em 1220, os documentos régios registavam Roviães.

Séculos depois, a comunidade era já conhecida como Ruivães.

Passaram gerações.

Mudaram as casas.

Mudaram os trabalhos.

Mudaram as ferramentas.

Mudaram as formas de viver.

Mudaram as fronteiras administrativas.

Mudou a economia.

Mas Ruivães permaneceu.

A terra que os antepassados cultivaram é a mesma terra que hoje recebemos.

As famílias mudaram, cresceram, partiram e regressaram.

As casas foram reconstruídas.

As antigas profissões desapareceram.

Novas profissões surgiram.

A agricultura perdeu importância.

A indústria transformou a comunidade.

A emigração levou ruivanenses para longe.

A modernidade aproximou o mundo.

Em 2013, a freguesia foi administrativamente agregada.

Em 2025, recuperou a sua autonomia.

Mas a verdadeira continuidade de Ruivães nunca esteve apenas nas leis.

Esteve nas pessoas.

Porque uma freguesia não é apenas um território.

É uma comunidade.

E uma comunidade só permanece viva quando conhece, valoriza e transmite a sua memória.

Ruivães recebeu uma história de muitos séculos.

Cabe-nos agora escrever os próximos capítulos.

Ruivães somos nós.

Ruivães foi ontem.

Ruivães é hoje.

E Ruivães será aquilo que, juntos, formos capazes de construir amanhã.


FONTES E REFERÊNCIAS PARA A HISTÓRIA DE RUIVÃES

Bibliografia principal

PAIVA, OdeteRuivães — Comunidade Minhota do Concelho de Vila Nova de Famalicão — População, Economia e Sociedade entre o Século XVII e o Século XXI. Edições Húmus, 2021, 576 páginas.

Esta obra constitui a principal referência bibliográfica contemporânea especificamente dedicada à história de Ruivães.

Fontes documentais

  • Registos paroquiais históricos de Ruivães;
  • Arquivo Distrital de Braga;
  • Arquivo Municipal Alberto Sampaio;
  • Arquivo Nacional da Torre do Tombo;
  • documentação administrativa e industrial publicada no Diário do Governo/Diário da República;
  • legislação relativa à organização administrativa das freguesias.

Fontes complementares

Foram também considerados estudos genealógicos que reproduzem e analisam registos paroquiais de Ruivães, nomeadamente relativos às famílias Azevedo e às antigas aldeias de Outeiro, Nomães, Ôres e Mortório. Estes materiais são utilizados como fontes complementares, não substituindo os arquivos públicos nem a investigação académica.


NOTA DA JUNTA DE FREGUESIA

A história de uma freguesia nunca está definitivamente terminada.

Novos documentos podem ser encontrados.

Novas fotografias podem surgir.

Novos testemunhos podem acrescentar informação.

Novas investigações podem corrigir ou aprofundar aquilo que hoje sabemos.

A Junta de Freguesia de Ruivães entende, por isso, esta publicação como um documento vivo, aberto à colaboração da comunidade.

Todos os ruivanenses que possuam documentos antigos, fotografias, memórias, histórias familiares ou informações relevantes para a história da freguesia são convidados a partilhá-los, contribuindo para preservar uma memória que pertence a todos.

Porque preservar a história de Ruivães é preservar a memória daqueles que fizeram de Ruivães aquilo que hoje somos.

 

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